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Não há nada de facto a apontar à generalidade. O facto, é que esta é negada pela individualidade de todos os indivíduos (redondamente...) Será ela, sempre que acontecer, falsa, porque absurda. (Não falo para estúpidos.) Isto no sentido de alguém apreender o que é do outro (em maravilha de generalização), e entranhar isso como sendo seu, próprio de si... A mesma coisa. (Sendo essa a coisa da generalidade, que não passa de eliminar tudo aquilo que possa ser uma excepção ao... geralmente aceite como “in”. Claro, porque até o que é geral tem o seu código. Torna-se o próprio código.)
Mas o facto, é que a generalidade é impossível pois implicaria a eliminação de tudo aquilo que está a (Ziggy plays guitar, mas estou-me a cagar para o Ziggy) mais, e bem sabemos que o corpo e a “mobilidade” está a mais em todos os indivíduos. É nessa coisa a mais que a coisa está... Como vemos facilmente, é absurdo conjugar a mobilidade de um indivíduo com qualquer outro indivíduo à face da terra. Só se conjuga um indivíduo com o conhecimento relativo que este tem do outro... Entre os dois, em si, não há relação, a não ser absoluta, isto é, material. Cada um relaciona-se efectivamente com o desconhecimento baseado no conhecimento que tem do outro.
A generalidade é uma técnica de compressão. Comprime-se a coisa (sempre muita coisa) muito, muito, muito, até a coisa explodir. A partir daí passa a conceito. Isto é, tem existência meramente pontual (ausência de matéria), isto é, existe no código. A quem isso interessa, é uma questão; mas a generalidade é obra humana. Digamos assim. Navega-se “docemente” nas vagas das sempre novas generalidades.
(Portanto, afirmar que há algo a apontar à generalidade é erro de proposição. O facto é que a generalidade é sempre absurda. Só o deixa de ser quando entramos no domínio das Artes (que parece um condensatório de generalidades) pois aí tem um outro nome. Mas temos que ver que antes da Arte está o homem, e este homem está também antes de qualquer generalidade. Não deixa de ser suspeita a relação. Também qualquer pessoa suspeita que o tema da Arte é o absurdo. Como um código não material. Conceptualmente, a Arte é materialmente vazia.)
Porquê a generalidade, se o que existe de facto é individualidade?! Cede-se perante a necessidade de entendimento, do código linguístico uniformizado, neste caso a nível dos dogmas e dos tabos, dos prazeres e das tensões, de toda uma série de berloques, tipo antenas do entendimento entre as pessoas, para que estas possam comunicar. Mas compõe-se o texto; tratam-se de criações meramente humanas, muito acima já do código linguístico, envolvendo muito mais do que meros conceitos. Trata-se de uma massa em movimento e metamorfose, em todos os sentidos da existência humana. A generalidade acontece no comportamento humano, em toda a sua “existência móbil”. Realizemos o retorno de toda a generalidade a cada individualidade que se conheça e o fosso do absurdo aparece.
Acreditar nas forças cósmicas é saber que há desconhecido que conhecemos.
- Eu de certa forma acredito nas forças cósmicas.

Zerox NON
Aqui morto eu!
Façam de mim a penúria maior!
Cantem os sinos de tronos partidos!
A rebate os mortos da forca maior!
Forca!
Para mim aqui morto eu!
Não sinto a cabeça.
Isto é, sinto-a demasiado fortemente
para a pressentir apenas como necessária.
Ela formou-se em turbilhão vaporoso
e agora a inércia transporta-me para o mais pesado,
para o que não fecunda porque já foi castrado de virilidade,
e assim vagueio na cal do sensacionismo,
podre de perfeição.
Os olhos já não vêm o que pretendo,
eles próprios recusam assumir o assombro como próximo,
anulam a existência da potência sensorial
para cairem pelos becos cuja saída está sempre ausente.
As minhas lamentações tomam a proporção do acabamento
e assim termino-me sem qualquer honraria a compor-me
a progressão no espaço,
ou na metáfora,
ou no anti-real.
Querer os mesmos pontos de contacto com a realidade:
eis o que me afasta do sentir.
Ou o que me aproxima do sentimento.
Sentir a sensação ou sentir o sentimento?
Afastamento ou aproximação?
Lado. Escuro lado.
Em canto nocturno.
Membro da noite.
O que fere o meu vazio
espantalho
agreste dos verdes
em nada.
Eu fodo-me como um santo.