Por estranho que pareça, Airf’Auga pretendeu ser um processo para o engrandecimento da alma, tendo como fundo a hipótese de a convivência com a matéria criativa, neste caso sonora, contribuir para o crescimento do indivíduo humano em geral. Resultou em práticas de criação sonora desprovidas de qualquer teorização e sempre com recurso ao total improviso. Os próprios materiais utilizados não resultaram de nenhuma procura ou afirmação estética, sendo sempre os disponíveis no momento. Os meios que estão ao dispôr de qualquer pessoa: um rádio com deck de cassetes, microfone, tachos, pratos, latas, ferros, enfim, tudo aquilo que existe e sabemos nós dar som. Como processo pessoal, não há músicos, nem artistas, sendo todo o processo destituído de conceitos degradados da actualidade. O fenómeno da Arte não nos interessa. Resulta assim igualmente na dissolução do executante enquanto indivíduo social. Na prática, o indivíduo social é sempre criador. Airf’Auga é uma atitude libertária em relação aos cânones da racionalização moderna sobre o que é existir. Continuamos convencidos que a convivência diária com a actividade criativa abstracta é necessária ao desenvolvimento com futuro da espécie humana. Nós, enquanto produções Ganza, continuamos convencidos da necessidade deste processo. Assim esperamos que aconteça em vós.
1990-...