Objecto criativo versus amplexo masturbatório
Ou
A incoerência abjecional do protótipo

 

         O objecto da criação é normalmente confundido com o retorno em forma de cagalhoto que da sua realização se obtém. O fantasma dos protótipos, assumidos no seio do grupo, aquele que se regenera em turbina atravé dos tempos e que reclama existência em revolta, esse mito da prosperidade cultural, é a versão mais acabada e aproximadamente perfeita da moca pré-histórica que tantos estragos causou nas primeiras famílias homnídeas: devassa tudo e todos que da sua beira se aproximam. A “Arte”, enquanto movimento estupidificante, encontra nesses grupos perfeitas condições de germinação, havendo um subterfúgio em forma de ralé cumprido, que permanece obscuro a não ser em volta de mesas de café, onde a podridão da consciência humana se revela em todo o seu explendor. Os aspirantes a revolucionários de uma nova arte, que afinal é bem mais velha que o próprio Deus, acotovelam-se na ausência de princípios, na incoerência assustadora dos meios, cada um tentando gritar o mais alto possível a sua existência. (Diz-se que os ratos são os primeiros a abandonar o barco. Estes, nem isso, afogando-se irremediavelmente nas profundezas do seu próprio mijo.) Depois desse afogamento em seco, e após o seu contacto com S. Pedro às portas do paraíso, tornam-se almas penadas que nada mais fazem do que atormentar os simples de espírito que nada mais fazem no mundo do que fazer do mundo um objecto de arte. No entanto, a única diferença verdadeiramente visível, é o facto de as novas almas endiabradas terer sofrido do mal de ejaculação precoce, enquanto os outros se contêm e animam, sempre cientes que melhor que ir para o céu=esquecimento, é continuar a pisar o chão do passeio com a picha na mão.