A Religião para os religiosos, a Ciência para os cientistas
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experimentação do amor

 

 

 

 

O que assim não for redunda em erro crasso de desapropriação. A impossibilidade da determinação do erro existencial sobre a sabedoria, empírica ou abstracta, implica o afastamento, daquele que não quer ser parvo, de toda a “verdade” por ele não constatada. Serve de facto o “ver para crer”, em termos de conhecimento. Aquilo em que se crê sem se ver é do âmbito do pensamento religioso, místico-prático. Redunda assim o processo do conhecimento na necessidade deste “ser”, e não ser suposto.

Toda a suposição é erro de proposição enquanto não demonstrada, ou verificada, ou simplesmente constatada. A suposição goza do princípio da validade enquanto criação humana, de facto, mas segui-la como “princípio verdadeiro” é eliminar a sua análise: esta determina o próprio pensamento humano num círculo fechado. Quando a suposição passa a “verdade”, sem a sua devida demonstração, ou verificação, ou simples constatação, fecha-se o processo racional nela própria. (O mais natural, uma das questões elementares da existência, é da demonstração de qualquer suposição surgir uma outra que a desactualiza… A assumpção de qualquer suposição como “verdade” implica a “eterna” (humana)  actualidade da suposição…) Sendo a simples suposição um erro de proposição, fecha-se portanto o processo racional num erro de proposição.

Demonstrar-se que a simples suposição é um erro de proposição é penoso, e não estarei para isso. Em termos absolutos, qualquer certeza não verificável é estritamente metafísica: a ocorrência de correspondência com a “realidade” é infinitamente improvável, e o ser humano nunca o saberá.

De qualquer forma, a suposição surge do desconhecimento. O conhecimento que se constrói “encima” do desconhecimento, tem partes deste, desconhecimento, ou, na suposição, “invenção”, e partes de conhecimento que tem qualidades outras relativamente ao que se desconhece.  Ou seja, todo o desconhecimento será colmatado por si, desconhecimento, na invenção, e pela relação que o seu conhecimento estabelece com a realidade. A própria invenção saltará facilmente do desconhecido (criação pura) para a rede informatorial estabelecida pelo seu conhecimento-outro. Também podemos dizer que é o conhecimento que determina o desconhecimento… e a suposição.

 

 

Os factos:

 

Deus é inconstatável: toda a forma e conteúdo que se lhe possa atribuir estarão errados. Há quem diga, no entanto, que é demonstrável…

A Ciência nunca dará o inconstatável – nunca saberemos aquilo que não sabermos.

 

Sendo os aspectos da religião assumidamente culturais, resta saber em que medida esta infere no comportamento e socialização inerente num determinado meio. Sendo a religião uma destilação eminentemente abstracta e simbólica, resta saber em que medida esta corresponde a um determinado Ideal (abstracto-simbólico) humano. Sendo a religião uma manifestação “temporal”, resta saber de que forma esta colabora na construção de um determinado “tempo”. Se a religião é a destilação prática de uma Fé numa “verdade” Filosófica, resta estudar o motivo deste conhecimento prático. Nada disto é o propósito da Ciência (exacta). Apenas a última hipótese poderia ser o propósito do religioso…

 

 

Não há diferença quantitativa entre duas suposições diferentes. Há apenas diferença qualitativa. Serão ambas igualmente suposições, e igualmente erros de proposição.

 

 

Quatro suposições diferentes, uma verdade poética, e uma ciência:

 

Deus; Deus não existe.

 

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1+(-1)=0; 1+(-1)=(11)

 

 

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A experimentação do amor dá-se na esfera da velocidade.

 

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A Ciência acompanha um Homem decadente. Não poderá ela continuar a ser a coisa por si só válida… Se é coisa humana …  E a nível filosófico mais elementar, e por falta deste a nível da Ideologia, estes tempos serão no futuro catalogados como Nihilistas. Iluminações Nihilistas como a auto-libertação, a autoridade do Eu, a não causalidade da ocorrência, o conforto espiritual-tech, e muito etc,… acompanham igualmente a Ciência. Desmistificada a coisa científica, esta passa a elemento “preciso” e utensílio. E nesta “triste situação” deverá ela continuar, até que uma “futura” degradação dos valores iniciais atinja uma frequência múltipla da fundamental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Criação Complexa
ou
A Mija na Síntese

 

 

Não me parece haver possibilidade da inconsciência em relação ao fenómeno criativo por parte de quem mesmo inconscientemente o coloca em prática. E é nesse estado de consciência que ocorrerá a intervenção nula que indicará a totalidade.

Intervir é suscitar de forma condicionada. O resultado da intervenção será determinado pela condição, isto é, o indivíduo tomará a frequência ditada pela condição, determinada pelo elemento condicionador.

O que me interessa seria o suscitar de forma complexa. Portanto, algo bem mais orgânico, atingindo as frequências básicas, e não estruturais e sistematizadas, Ideais, num ponto cerebral onde o orgânico testa o metafísico, e nesta perspectiva encolhe este até surgir a matéria bruta. Apenas o surgimento oblíquo desta matéria bruta indica a benevolência da intervenção complexa, e acima de tudo, a sua ocorrência.

 

Posto isto, do que tratamos?

 

A mística quadrática sobre o fenómeno Artístico encolhe de protuberância a inchaço manifestado em toda a extensão do tecido civilizacional. O controlo das formas por parte da aristocracia capitalista sistemático-burocrática determina actualmente, à semelhança do ocorrido no tempo das suas congéneres, a estrutura mental do indivíduo ao nível da sua concretização abstracta. Temos que um gole dado num pequeno copo de leite numa Brasserie parisiense corresponde a um estalar de casca carbónica da árvore sintética: a humanização da forma corresponde sempre a uma sintetização da humanidade (relação meta-matéria e antifísica). O teor carbónico do tecido é admitido no âmbito da fluidez do conceito sintético na sua estrutura, e toda a árvore será o animal escolhido para evoluir na sua qualidade sintética. A forma sintética é transportada de lugar para lugar pela locomotiva (transmissores) que representa o acumular do poder de manufactura com vista à preservação de um determinado teor sintético. (O gole de leite é película além-tempo transformada em extensão serial de um evento reproduzido.) A proliferação da ocorrência reprodutiva (massas & controlo pornográfico) realiza a sedimentação carbónica no tecido orgânico, formando excertos de capacidade sintética e anuladora dos impulsos orgânicos: a orgânica limita-se na síntese.  

A criação total acontece na periferia do fim carbónico. Consciencializa o metafísico para reencontrar a física que se carbonizou pelo fogo (arma psico-formal) da sanguessuga sintética.

 

Num tecido carbónico, a criação será complexa se ocorrer mijo na síntese.

 

Não há extravasação política da ideia macromática sobre uma entidade que se pretende micromática, num processo de negação da diferença, para que ocorra em fim um engajamento abstracto. O micro-infinitismo acrescentará portanto um tratamento orgânico à questão do existir em determinado abstracto, digamos, mais favorável à ocorrência da perturbação fatal.

 

3 ponto.

 

O alheado persegue a vítima como quem chora amêndoas.
Vejo um ponto negro que se afasta
do centro para fora e enfim cá
estamos, não é verdade?

 

- A mija na síntese.

 

(A criação complexa apreende o estar como forma absoluta do existir. Não recorre a entidades metafísicas para recriação da mística, aplicando a própria complexidade ao acontecimento, evidentemente Absoluto.)

 

 

Imaginaria uma síntese carbónica quente e um mijo morno a fumegar pelo contacto. Os vapores tépidos da volatilização urinária arquivam o conceito em nuvens de sono denso; o conceito extravasa para o sono denso; o som do mijo elimina o sono porque o denso se tornou grave: processo anárquico primário. Num sentido sempre plano a esfera carbónica repele a mija pela extravagância, pela irrealização matematica, pela extrapolação esvaziada de sentido, e nessa falha de sentido a anarquia revela-se aos sensores do universo sintético: recepção de frequências anormais. A estranheza da frequência é determinada pela modulação do receptor. Este, na posse da sua faculdade de construção do Absurdo, determina a relação com a mija, e consequentemente, o resultado pós-intervenção.

O mijo na síntese só é acessível pelos anarcas e iniciados culturais, ou sensacionistas. Para todos os outros trata-se apenas de frequências anormais.

 

 

No micro-infinitismo ocorre a supressão do normal como apresentação sintética de um conceito macro-carbónico formalizado por sucessivas retransmissões, surgindo em oposição a impossível repetição do estar, logo, da retransmissão. O normal passará assim como conceito formal encima de macroestruturas comummente reconhecíveis e não divisíveis. Esta não divisibilidade do normal é devido ao carácter não analítico que apresenta: o conceito macro-estético não é divisível porque só “é” se for todo. Só assim é reconhecível, e assim existe.

Se a mija na estética sintética resulta num estado de convulsão, o micro-infinitismo “agarra” a estrutura orgânica e dá-lhe propriedade. O micro-infinitismo encima da mija estabiliza e direcciona a piroca criadora.

A foda semântica entre o indivíduo criador orgânico e o seu exterior resultará em frequências de vibração específica, de ramificação material não previsível. A transposição metafísica destas ramificações materiais para o outro indivíduo humano é condicionada pela orgânica desse outro indivíduo. Filtros sintéticos são colocados nas zonas de destaque do processamento abstracto. Esses filtros realizam a cadeia selectora dos eventos a processar: fecha-se o ciclo no recurso à retro-alimentação encima dos eventos processados após filtragem. Nesse estado de coisas as frequências de vibração do indivíduo criador orgânico são convertidas em eventos ou ocorrências formais. O que é processado será uma mija micromática na síntese.

 

Se a mija na síntese perturba o carbónico, o micro-infinitismo cria a estrutura orgânica que evolui no espaço. Após perturbação o micro-infinitismo resulta em facto material. Mas serão as frequências vibratórias do elemento criador, o seu tipo, o factor que determinará a existência da intervenção complexa benévola.

 

Aqui começa o existir.

 

3 ponto.

 

 

 

 

Bórgia Ginz