Zerox NON

 

 

Aqui morto eu!
Façam de mim a penúria maior!
Cantem os sinos de tronos partidos!
A rebate os mortos da forca maior!
Forca!
Para mim aqui morto eu!

 

Não sinto a cabeça.
Isto é, sinto-a demasiado fortemente
para a pressentir apenas como necessária.
Ela formou-se em turbilhão vaporoso
e agora a inércia transporta-me para o mais pesado,
para o que não fecunda porque já foi castrado de virilidade,
e assim vagueio na cal do sensacionismo,
podre de perfeição.
Os olhos já não vêm o que pretendo,
eles próprios recusam assumir o assombro como próximo,
anulam a existência da potência sensorial
para cairem pelos becos cuja saída está sempre ausente.
As minhas lamentações tomam a proporção do acabamento
e assim termino-me sem qualquer honraria a compor-me
a progressão no espaço,
ou na metáfora,
ou no anti-real.
Querer os mesmos pontos de contacto com a realidade:
eis o que me afasta do sentir.
Ou o que me aproxima do sentimento.
Sentir a sensação ou sentir o sentimento?
Afastamento ou aproximação?

 

Lado. Escuro lado.
Em canto nocturno.
Membro da noite.
O que fere o meu vazio
espantalho
agreste dos verdes
em nada.

 

Eu fodo-me como um santo.